domingo, 16 de abril de 2017

INVASÃO

Veio o Pateta com sua patota,
invadir o meu lúgubre espaço;
logo surge fortíssimo Homem de Aço,
perfazendo também a mesma rota.

                                                           Em seguida, veio o espacial Jota
                                                           Quest, para me dar um grande abraço;
                                                            e Mulher Maravilha joga o laço
                                                            no Pé de Pano, que não mais trota!

Tartaruga Touchê, cheio de rugas,
rapidamente dali, parte em fuga,
e, para mim, sequer ele dá bola!

                                                            Donald trouxe com ele os Sobrinhos,
                                                            e Piu-Piu: “acho que eu vi um gatinho”,
                                                            Denuncia à Vovozinha o Frajola.


                                                Miguel de Souza

sábado, 8 de abril de 2017

HOMENAGEM

Neste dia 08 de abril seria o aniversário de minha Mãe. A ela este soneto:

GRATIDÃO

Venho neste soneto, oh, Mãe querida,
nesta data em que se comemora
o Vosso dia... Venho sem demora,
agradecer-Vos pela minha vida!

Pois quando era indefeso, sem saída!
Nas primeiras, premissas, faustas horas,
num tempo insenciente de outrora,
amparastes-me em Vossa nobre lida.

Hoje, depois de tanto tempo, homem feito,
ainda sinto a gratidão no peito,
pelo carinho àquele ser franzino...

Mas eu tenho certeza, a maior láurea,
foi ter nascido da Senhora D. Áurea,
para poder cumprir o meu destino.

Miguel de Souza

sábado, 1 de abril de 2017

HOMENAGEM

Neste 1° de abril meu pai faria aniversário. Minha homenagem a ele com este soneto:

saudade

a saudade o tempo leva,
e traz no dia seguinte...
e soma-se mais de vinte
anos que, naquela leva,
te foste deste convívio,
habitar em outra esfera!
de repente esta atmosfera,
a teus pés tornou-se ínvio.
agora és todo abstrato:
-fiel criatura no adro-
a tua imagem no quadro,
imitando o teu retrato,
           dignifica a memória
           daquele que ficou na história.

Miguel de Souza

sábado, 25 de março de 2017

FRUTAS DA MINHA INFÂNCIA










JENIPAPO


Na árvore desconforme,
de pele cinza, enrugado,
soturnamente, ele dorme
no galho dependurado.
Reina assim o jenipapo,
fruta gostosa da infância,
com toda sua substância,
para nutrir todo o papo
daqueles que, iguais a mim,
saboreiam o seu sumo.
Pois, neste soneto assumo,
e brindo com um tintim,
               a sua existência, oh, fruta
               que meu paladar desfruta.

Miguel de Souza
in: Chibé na cuia

sábado, 18 de março de 2017

O ABRAÇO

Um abraço apenas, quem me daria?
O vento que me acaricia o rosto, os sonhos que transportam aos lugares mais longínquos do planeta?
Os filhos que coloquei no mundo.
Os fantasmas que cruzaram e sombreia meus caminhos?

Não sei. Qualquer resposta seria inepta, faltariam argumentos convincentes.
Passei dos trinta, sessenta, caminho a passos largos aos noventa.
No outono da vida, a natureza começa a traçar novos riscos, marcas; sulcos mais
profundos vão ficando na pele flácida.

Somos árvores envelhecidas, corroídas pelos cupins, aguardando um vendaval mais forte para
tombá-las, deixando à mostra suas raízes.
Sinais do tempo.

Algumas pelo nome e qualidade da madeira sobrevivem em peças mortas, entalhadas; outras queimarão nas caieiras, caldeiras, transformadas em carvão de pedra ou pó...

E o abraço? Este ato tão simples e importante.
Ficará para um futuro.
BEM MAIS DISTANTE.

Ana Zélia

P.S.: Para relembrar a minha querida amiga Ana Zélia, uma das mulheres mais dignas que conheço. Compactuo contigo deste sentimento, a falta de um abraço é algo que também sinto. Não foi à toa que escrevi também o meu POEMA DO ABRAÇO, e, numa crítica, abraço todos os personagens criados por mim, na ausência de um verdadeiro abraço.

sábado, 11 de março de 2017

O ACENDEDOR DE LAMPIÕES

Lá vem o acendedor de lampiões da rua!
Este mesmo que vem infatigavelmente,
Parodiar o sol e associar-se à lua
Quando a sombra da noite enegrece o poente!

Um, dois, três lampiões, acende e continua
Outros mais a acender imperturbavelmente,
À medida que a noite aos poucos se acentua
E a palidez da lua apenas se pressente.

Triste ironia atroz que o senso humano irrita:-
Ele que doira a noite e ilumina a cidade,
Talvez não tenha luz na choupana em que habita.

Tanta gente também nos outros insinua
                        Crenças, religiões, amor, felicidade,
                        Como este acendedor de lampiões da rua!

Jorge de Lima

sábado, 4 de março de 2017

DOIS SONETOS PARECIDOS

No soneto XXI da Rua dos Cataventos, Mário Quintana dedica um soneto aos seus amigos mortos. Um tanto trágico, não fosse a beleza com que o poeta encara o tema. Quintana tem muito disso, falar das coisas trágicas de uma forma tão doce que encanta a todos.
XXI
                                                Para os amigos mortos

Gadêa... Pelichek... Sebastião.
Lobo Alvim... Ah, meus velhos camaradas!
Aonde foram vocês? Onde é que estão
Aquelas nossas ideais noitadas?

Fiquei sozinho... Mas não creio, não,
Estejam nossas almas separadas!
Às vezes sinto aqui, nestas calçadas,
O passo amigo de vocês... E então

Não me constranjo de sentir-me alegre,
De amar a vida assim, por mais que ela nos minta...
E no seu romantismo vagabundo

Eu sei que nestes céus de Porto Alegre
É para nós que inda S. Pedro pinta
Os mais belos crepúsculos do mundo!...

Mário Quintana
In: Rua dos Cataventos
P. 39

Em Caminhos da Alma, Almir Diniz dedica um soneto aos seus amigos boêmios da cidade. Em tom nostálgico, o soneto de Diniz não chega a ser tão trágico como o de Quintana. Mas achei deveras parecido ambos por se tratar do mesmo tema, a saudade.  

BUSCA
           Aos boêmios da Cidade, representados por Iran Caminha, J. Corrêa Lima, Chico Veiga.

Onde andam tantas lindas madrugadas,
Cheias de amor, de cores, de ternuras?
Tantas manhãs de luz e tantas juras,
Tantas noites febris... e as luaradas?

Onde andarão os velhos camaradas
Partícipes fiéis das aventuras
Nos botequins da vida, das loucuras...
Dos serões, violões, e das rodadas?

Rebusco no escaninho da memória
Os elos esquecidos dessa história
Vivida entre os boêmios da Cidade...

E só o que vem são sons de beijos,
De flautas, cavaquinhos, realejos,  
De copos, de canções... e de saudade!

Almir Diniz
In: Caminhos da Alma
P: 49