domingo, 25 de outubro de 2015

CANÇÃO DA CHUVA

                                   Composto no celular

O tempo se prepara para o pranto:
Relâmpagos e suas setas no ar!
E o trovão, logo após, a indicar
a chegada da chuva com seu canto!

Longe de ser berceuse, acalanto;
ou aprazível canção de ninar...
O tempo se prepara para chorar,
com lágrimas e mágoas de quebranto!

O tempo chora, enfim, as suas mágoas,
jorrando sem cessar infindas águas,
sobre toda a superfície terrestre...

Causando, infelizmente, alguns transtornos,
mas, deixando na flora seus adornos,
e aquietando os pássaros silvestres.

                            Miguel de Souza

domingo, 18 de outubro de 2015

SONHO REALIZADO

O poema "Sonho de ser palhaço", surge a partir do meu sonho de ser humorista. Pois sempre tive loucura pelos humoristas. Amo todos eles. Mas como acho que não tenho competência, nem talento para tal, contento-me com a missão de ser poeta, o que não é pouca coisa. Afinal de contas, o poeta é um pouco de tudo, como diria a quadrinha popular.
O palhaço Espiga aparece no desfecho do poema quando é apresentado ao público. O fim do poema é o início do espetáculo! A partir daí, nasce esse personagem que ficou implícito por 17 anos. No recital do dia do poeta, em outubro de 2014, na Escola Estadual Francelina Dantas, o palhaço Espiga se materializa.
Foi uma noite mágica e inesquecível. Eu parecia outra pessoa, ou melhor, eu era outra pessoa, era o palhaço Espiga. Alvo de brincadeiras e palhaçadas, juntamente com o meu amigo-irmão, o poeta Edivan Rafael, que  fez a vez do palhaço Sabugo. Fomos protagonistas do melhor recital que já fizemos durante esse tempo todo em que estamos nessa jornada.
Tanto é, que na semana seguinte, voltamos à Escola Francelina Dantas, para uma homenagem em consequência do sucesso que foi. Nunca fui tão aplaudido na minha vida como naquela noite. Foram mais ou menos vinte minutos entre assobios e gritos de eles merecem! Um telão mostrou fotos em momentos outros quando estivemos por lá. Fiquei lisonjeado com a aluna lendo o soneto "O choro do palhaço" e o meu poema que criou asas, "As tintas da natureza".
Foi recapitulando aquela noite memorável que findei compondo o soneto, "Espiga, o palhaço". Existem burburinhos por aí de mais uma aparição do palhaço Espiga. Será?!


                                                           ESPIGA, O PALHAÇO.

                                                 Ah, que saudade do palhaço Espiga:
                                                 de sapatão, com sua roupa frouxa,
                                                 a rolar pelo chão, chamar de trouxa
                                                 o outro... e fazer rir de dar dor na barriga!

                                                 Ô, palhaço engraçado duma figa!
                                                 A enxotar a tristeza sempre chocha,
                                                 transformar em azuis, as horas roxas
                                                 das simpáticas crianças sem fadiga!

                                                 Com seu nariz vermelho, sempre chato...
                                                 Às crianças, jamais ele foi chato,
                                                 por trazer na cabeça exposto calvo.

                                                 E com mais de mil e uma palhaçadas,
                                                 a produzir trocentas gargalhadas!
                                                 No palco, das piadas, ele era o alvo!

                                                              Miguel de Souza

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

HOMENAGENS

DIA DA PADROEIRA, DAS CRIANÇAS E ANIVERSÁRIO DA FERNANDA.



                                       






A BÊNÇÃO


Venho neste soneto, a trouxe-mouxe,
pedir mais uma vez, oh, Mãe Senhora,
como tenho pedido a toda hora,
a bênção que Vós sempre me trouxe!

De olhar angelical, a feição doce,
abençoai minha Mãe, sem demora...
de ser abençoado, não vejo a hora,
por Vossa Santidade, qual se fosse

a bênção derramada sobre Jesus,
que padeceu por nós em uma cruz..
A bênção minha Mãe tão querida!

Abençoai esse pobre pecador,
a suplicar por uma nesga de amor,
abençoai, por fim, a minha vida!

                        Miguel de Souza


reminiscência

há uma rua em mim:
antiga rua
da minha infância...

rua nua de asfalto
onde um menino peralto
hoje, perdido na distância,
brincava feliz!

há uma rua em mim:

rua em que não há mais!
hoje, personagens são outros,
e aquele pacato garoto,
cheio de alegria e paz...
passa despercebido

pela rua, princípio de lua,
com sua veste preta,
com seus garotos outros,
num tempo outro.

mas há uma rua em mim:
vetusta rua
na minha memória...

onde um menino,
dono do seu destino,
escreveu sua história!

                     Miguel de Souza


E faz aniversário Fernanda Souza, universitária do curso de Administração na Esbam, noiva, prestes a casar. Só poderia mesmo ser uma pessoa tão iluminada para nascer numa data tão linda! Parabéns, e que Nosso Senhor Jesus Cristo continue te abençoando, amém!! Eis um soneto que fiz pra ti.





















HOJE

                                     Pra Fernanda Souza

Hoje, olho pra ela como se ontem fosse,
e vejo tudo! Menos a garota
de trajes simples, e de roupas rotas,
e de quem a tristeza tomou posse!

Hoje, sorriso aberto, largo, doce...
Na mulher tão menina quão marota,
onde toda a beleza não se poupa,
de revelar-se em sua face num close...

Cabelos ondulados, cor do sol,
pertencente a esta estirpe, grei, escol,
a menina-mulher a ornar a vida!

Hoje, o passado se faz presente
no futuro que vem pela frente,
das tuas horas tão bem vividas!

                      Miguel de Souza

domingo, 4 de outubro de 2015

SOBRE POEMAS


VIII

Recordo ainda... E nada mais me importa...
Aqueles dias de uma luz tão mansa
Que me deixavam sempre de lembrança,
Algum brinquedo novo à minha porta...

Mas veio um vento de desesperança
Soprando cinzas pela noite morta!
E eu pendurei na galharia torta
Todos os meus brinquedos de criança...

Estrada fora após, segui... Mas, ai,
Embora idade e senso eu aparente,
Não vos iluda o velho que aqui vai:

Eu quero os meus brinquedos novamente!
Sou um pobre menino... acreditai...
Que envelheceu, um dia, de repente!                                                        

Mário Quintana
A rua dos cataventos
P. 26


ALGUNS DIZERES

          O primeiro verso deste soneto: "Recordo ainda... E nada mais me importa...", já coloca em evidência o tema ao qual o poeta se propõe a cantar. Mas, não é somente isso. Não é à toa que o bardo usa reticência para dar ênfase ao seu pensamento, desdobrando dessa forma, o verso em dois momentos, para enfatizar com clareza a fase mais importante e marcante de sua vida. Os três versos seguintes vêm explicar de certa forma qual seria essa recordação do poeta. As palavras luz, mansa. lembrança, brinquedos são as chaves que denunciam o tema proposto.
          A antítese fica evidente no primeiro verso da quadra seguinte quando o poeta diz: "Mas veio um vento de desesperança", que também pode funcionar como metáfora de outra fase da vida, a adulta. Reparem bem que o tempo vai passando lentamente diante de nossos olhos na transposição de uma quadra para outra. O que seria esse vento de desesperança? O tempo? O segundo verso da segunda quadra: "Soprando cinzas pela noite morta", é o ofício do próprio tempo que encaminha o poeta para a velhice. Reparem que as palavras agora são outras, antônimas daquelas do princípio do poema: "desesperança, cinzas, morta". O terceiro e o quarto verso se completam: "E eu pendurei na galharia torta/Todos os meus brinquedos de criança...". A palavra galharia é um corpo estranho no decorrer do poema, talvez signifique o pensamento, a mente, a recordação do autor.
          O primeiro terceto aborda a chegada da velhice. "Estrada fora após segui... Mas, ai,". A palavra "ai" (onomatopeia de dor), não foi a última palavra a ser escrita à toa, ela está lá para evidenciar bem essa fase. Enfim, o poeta entrega aquilo que havia negado até aqui, a palavra velho, que é relatada neste terceto de forma clara e objetiva: "Não vos iluda o velho que aqui vai" (...)
          No desfecho do poema, Mário Quintana implora pela infância novamente, pedindo os seus brinquedos, aqueles que havia pendurado na galharia torta. E se queixa da passagem rápida do tempo: "Sou um pobre menino... Acreditai.../Que envelheceu, um dia, de repente!...


MUDANDO DE ASSUNTO

Se eu fosse um padre

Se eu fosse um padre, eu, nos meus sermões,
não falaria em Deus nem no Pecado,
- muito menos no Anjo Rebelado
e os encantos das suas seduções,

não citaria santos ou profetas:
nada das suas celestiais promessas
ou das suas terríveis maldições...
Se eu fosse um padre eu citaria os poetas,

rezaria seus versos, os mais belos,
desses que desde a infância me embalaram
e quem me dera que alguns fossem meus!

Porque a poesia purifica a alma
... e um belo poema - ainda que de Deus se aparte -
um belo poema sempre  leva a Deus!

Mário Quintana
In: Nova Antologia Poética
Editora Globo
P. 105.