sexta-feira, 28 de outubro de 2016

POESIAS POLÍTICAS

ENREDO

Embora a vida me pareça vil,
Pelos exemplos desses pobres homens,
Que mais parecem uns lobisomens,
A colocarem medo no Brasil!

Muito embora depois... ninguém os viu,
E para fora daqui, eles somem
Com a maior fatia!... Que comem
Bem longe dessas terras do Brasil!

E depois vêm aqui pedir voto,
E o povo, indiferente, sempre ignoto,
Deposita com fé, na tecnológica urna...

E, após quatro anos, eles vêm de novo,
Lograr o mesmo dito e bobo povo,
Cego e habitante de asquerosa furna!

 Miguel de Souza


sábado, 22 de outubro de 2016

MANAUS EM PARALAXE

A Manaus na visão da poetisa Amy  Higgins Schneider, que é filha da minha querida amiga, a doutora Ana zélia da Silva.


MANAUS DO CÃO!

O “Louco” morreu “Enforcado”! 
Nesta cidade que é o cúmulo do absurdo da nojeira. 
Um carma maldito é viver em ti. 
Já fui, já voltei... 
O que me prende a esta terra insana? 
Não sei! 

É carma! O que mais seria? 
Antes de nascer me perguntaram: 
“_Queres ir para Cabul ou para Manaus? 
Para o Afeganistão ou para a Cidade do Cão?” 
O que me restava entre um inferno horrível e outro pior ainda? 
Escolhi Manaus, achando que seria mais fácil fugir daqui. 
Vim para a floresta sem árvores das Bestas-Feras, 
Do jaraqui que jaz morto aqui. 

Pagar pecados, até quando? 
Neste chão onde não sopra o minuano. 
Que é a filial da montanha da perdição. 
Uma cidade em constante maldição. 

Manaus, uma cidade melhor? 
Só se for posta em abaixo, como a “Torre”, virar pó. 
Reconstruir do nada o que nada é, 
Só pra quem tem muito estômago, 
E mais ainda, fé! 

Amy Schneider

* Compilado de sua página na Usina de Letras.

sábado, 15 de outubro de 2016

ENTRE POETAS

POÉTICA

Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao Sr. diretor
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário
o cunho vernáculo de um vocábulo
Abaixo os puristas

Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis

Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer seja fora
de si mesmo
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário do
amante exemplar com cem modelos de cartas
e as diferentes maneiras de agradar às mulheres, etc.

Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbedos
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare

- Não quero saber do lirismo que não é libertação.


Manuel Bandeira
In: Antologia Poética
José Olympio - editora










POÉTICA

Estou de saco cheio da poesia metida a besta
com nota de rapapé
arcabouço teórico
prefácio
e posfácio
Estou de saco cheio da poesia marginal publicada pela
                                                            [imprensa oficial
Da poesia que treme diante de um travessão e de um
                                                            [ponto-e-vírgula
Estou de saco cheio da poesia que tem medo de pôr o
                                                            [dedo na ferida
Todas as palavras inclusive morte amor ciúme
Todas as construções inclusive as sextinas os acrósticos
                                                            [e os decassílabos
Abaixo a tirania do verso-livre
Abaixo as revoluções segundo a receita
Estou de saco cheio da poesia asséptica
exegética
disléxica
anoréxica
Da poesia politicamente correta e poeticamente abjeta
De resto pode até ser poesia
(pra isso servem os carimbos e atestados da academia)
Mas lirismo não rima com chatice
e pra ser lúdico não precisa ser estúpído

- Não quero saber da poesia sem ritmo e sem sangue


Marco Catalão
In: Palimpsestos
P: 47


*Caricatura compilado do site Caricatura Brasil.

domingo, 9 de outubro de 2016

MILAGRES DE NOSSA SENHORA APARECIDA.











O ENCONTRO MILAGROSO

Depois de muitos lances sem sucesso,
João Alves, ao recolher a sua rede,
Pois de peixe ele tinha fome e sede,
Percebeu que teria algum progresso:

Surpreso com a imagem de barro,
Que ele havia pescado sem cabeça...
E ao jogar sua rede, essa outra peça,
João Alves tornou a recolher! Sem sarro,

Àquela hora sagrada, comovida,
Viram que era a Senhora Aparecida,
Porque trazia a lua sob seus pés...

A partir daí a pescaria abunda!
E de peixes, a barca quase afunda!
E todos ali se tornaram fiéis.


Miguel de Souza


O SACRÍLEGO PUNIDO

Conforme foi crescendo a devoção
à Virgem Santa: Nossa Senhora;
já existia nos tempos de outrora,
o ódio habitando sem compaixão,

a mente dos imigos da religião:
certo homem que, montado a cavalo,
veio fazer um terrível abalo...
e, com sua sacrílega intenção:

Romper as dependências da igreja, e
numa cruel, maldosa peleja,
sacolejar a imagem rumo ao chão.

Mas, a Santa sem nada que a medra,
deixou o cavalo preso nas pedras...
e o sacrilégio desse homem foi em vão!

Miguel de Souza


A CURA DA MENINA CEGA

Entre tantos inúmeros prodígios,
realizados pela Virgem Santa,
p'la fé em Nossa Senhora ser tanta!
Ficaram nos anais os vestígios,

que Lhe valeram certos prestígios,
pela cura de uma menina cega!
Que até hoje em dia ninguém nega,
pro ódio dos que praticam litígios.

... Pedia à mãe para ir à Aparecida
em peregrinação. Mas sem recursos,
foram pedindo esmolas no percurso...

E a menina antes envolta em atro,
exclama: - Olha lá a igreja de Aparecida!
Fato ocorrido em 1874.

Miguel de Souza


SALVO DE SER ESMAGADO POR UM BONDE

José, filho do Sr, João Sebe,
com apenas três anos de idade,
andava pela rua da cidade,
quando, ao passar fagueiro, em frente à sede

da Santa, em aflições que não se mede, foi
colhido por um bonde inconsequente,
causando, no menino, grave acidente,
horrorizando por lá toda a plebe.

Nesse momento foi invocada a Santa...
E a fé em Nossa Senhora foi tanta,
que o menino foi retirado salvo!

Com grande admiração daquele povo,
o menino, naquele dia, de novo,
tinha nascido, e dessa fé ele foi o alvo.

Miguel de Souza  



sábado, 1 de outubro de 2016

HAICAI

É a vez de outubro:
inteiro céu de brigadeiro,
e o sol sempre rubro.

                     Miguel de Souza