sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

MOTE E GLOSA

Mote:

Um café com pão quente às cinco e meia,
deixa a casa cheirando a poesia.

Glosa:

Quando a sombra do sol sai da campina
e o tecido da nuvem muda a cor
o alpendre recebe o morador
regressando da luta campesina.
Entre os ecos da casa sem cortina
corre um grito chamando por Maria
e da cozinha pra sala, a boca esfria
o mormaço da xícara quase cheia.
E um café com pão quente às cinco e meia
deixa a casa cheirando a poesia.

Mote de Dedé Monteiro.
Glosa de Mariana Teles.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

LEANDRO GOMES DE BARROS

(*)

Que as musas mitológicas
Vindas em dourados carros
Cheguem da fonte poética
Trazendo água nos jarros:
Dêem-me a taça predileta
Onde bebeu o poeta
Leandro Gomes de Barros.

Pois além de pioneiro,
Leandro foi um gigante
À poesia popular
De legado relevante
Escreveu drama e tragédia
Fez gracejo e fez comédia
Com sua lira atuante.

Em mil oitocentos e
Sessenta e cinco nascia
Há dezenove do onze
Na fazenda Melancia
Na Paraíba em Pombal
Veio Leandro, afinal,
Fazer o que bem queria [...]


Klévisson Viana


* Trecho do cordel em homenagem a Leandro Gomes de Barros.


Drummond demonstrou grande apreço à poesia de Leandro Gomes de Barros. Afirmando, no Jornal do Brasil, em edição de 1976, que:
"Os 39 escritores que elegeram Olavo Bilac, príncipe dos poetas brasileiros, eram mal informados, pois o título só caberia a Leandro Gomes de Barros, nome desconhecido no Rio de Janeiro, local da votação, mas vastamente popular no Nordeste do país, onde suas obras alcançaram divulgação jamais sonhada pelo autor de "Ouvir Estrelas".
"Um é poeta erudito da cultura urbana burguesa média; outro, planta sertaneja vicejando à margem do cangaço, da seca e da pobreza".

Drummond ainda fala que:

"Não foi príncipe de poetas do asfalto, no julgamento do povo, rei da poesia do sertão, e do Brasil em
estado puro".

sábado, 13 de fevereiro de 2016

É Tempo De Amar!


Se as horas passam correndo
Eu corro pra logo te ver
Nessa corrida da vida
Nesse desejo de ter.

Se as horas passam bem lentas
Aproveito o tempo por ficar
Contemplando tua rara beleza
Tua face, teu meigo olhar.

Mas, se as horas não passam... (Eu teimo!)
E fico no mesmo lugar
Fico feliz nestas horas
É glória! É tempo de amar.


Everaldo Nascimento
in: É tempo de poesia
P. 8

domingo, 7 de fevereiro de 2016

DUALIDADE

Lá fora, um tom funéreo, cinza, inunda
a paisagem exótica, dual!
Enquanto que se tange todo o mal,
dessa intrínseca imagem moribunda,

que ao meu ver agora se afunda,
nesse luxuriante ritual.
Subo às pressas para ir à catedral,
e u'a devassa mulher, mostrando a bunda,

aproxima-se cheia de manha...
Minha libido, nesse instante, se assanha,
mas não dou bola para isso... Afinal,

ainda temos pela frente o ano inteiro,
estamos só vivendo fevereiro,
o mês radiante do carnaval!

Miguel de Souza 

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

ESCREVER...

Certa vez o meu amigo Rogério Machado me perguntou a razão dos meus poemas. Não soube o que dizer. Mas agora, resolvi responder com este soneto:

MOTIVO

Escrevo para quem não sabe ler
as tais deformidades deste mundo,
onde todos nós somos moribundos,
e, muita gente aí, só quer ser!

Escrevo para aqueles que, sem ter o
poder de discernir, lá no fundo,
estão propensos à ira, e iracundo,
disseminam o ódio, sem saber!

Escrevo para vós, oh, seres vis,
que dividem o Brasil em brasis,
e pousam seu intelecto lá no cume...

Escrevo para nós, os mais rasantes,
apesar destas mentes tão brilhantes,
nós não chegamos lá. Será Ciúme?

Miguel de Souza


TEXTO DE APOIO


RAZÕES

Escrevo pra não pensar no medo,
Por não ser nem tarde nem muito cedo,
Para provar dum sentimento misto...
O que é que tem de tão errado nisto?

Pra fazer companhia ao meu papel,
Escrevo o que desejo em linhas tortas;
Pra zelar feliz, as pessoas mortas,
Por querer ser um pássaro no céu.

Simplesmente continuo escrevendo,
Por não estar ganhando nem perdendo,
E somente por sentir que eu existo!

Escrevo pra completar minha história,
Fazer da minha vida minha glória,
E por ninguém ter a nada a ver com isto.

Giovana Neiva Bilotta
Palavra viva / 2002