Se, por acaso, no vai e vem da vida,
meu pensamento como quem se esbarra,
encontrar com o seu, e nessa farra,
fizer da gente uma só guarida.
É você, nesse instante, quem convida,
e condiciona o meu, forçando a barra,
a pensar em você, sem mais bandarra,
numa atitude tanto quanto atrevida.
Basta um olhar, e o palco de sua face,
não consegue manter o disfarce,
e, se declara a mim, num olhar terno.
Só preciso, no fundo, de uma chance,
p'ra dar início ao nosso romance, e
se depender de mim, será eterno!
Miguel de Souza
domingo, 3 de novembro de 2019
domingo, 20 de outubro de 2019
É PRECISO SABER ERRAR
Sempre acreditei no poeta! Nunca, em tempo algum dei ouvidos
a terceiros cheios de suas verdades contidas em alfarrábios obedientes a certas
regras repugnantes! O poeta senhores, é o oposto disso tudo! Ser poeta é
desdizer o que fora dito antes. Tão certamente dito antes por senhores que
andam na trilha.
Um novo poeta sempre vai entregar seu rosto a bofetes baratos
daqueles que se dizem doutos no assunto ou meros repetidores dos que se acham
alguma coisa nesta vida. (Eu mesmo já passei por poucas e boas!) Abaixo todos
eles com suas certezas fáceis a vomitarem boca a fora nas ocasiões mais
sórdidas que possam existir!
Mas ser poeta não é errar. É acima de tudo saber errar. Ser
cônscio no seu erro. Outro dia, há mais de dez anos, encontrei num poema a palavra
“exalou” escrito com “i” e “z”, assim mesmo: izalou. E, ao perguntar ao meu professor, na época, ele disse: -
Pegue este poema e jogue na lixeira mais próxima. É inadmissível a um poeta
errar na grafia. Aquilo me deixou muito bolado.
Não obedeci ao professor e guardei o poema comigo. Depois
desse hiato que citei no parágrafo acima, já nos bancos da faculdade, descobri
que o poeta estava certo e o professor errado. Pois errar na grafia é uma
tendência Modernista. Os Modernistas erravam na grafia para afrontar a Escola
anterior que primava pelo acerto ortográfico/gramatical. Se ainda estamos sob
os auspícios Modernistas, então o poeta está correto no seu poema.
domingo, 13 de outubro de 2019
A POESIA
A Miguel de Souza
Dentre as pedras preciosas como estradas
trilha pelo caminho da poesia
preso pelo dom, não pede alforria,
pois sua nobre cura já foi tomada
ao se pôr diante da essência da vida
seus olhos colhem, tristeza, alegria
e tudo se transforma com maestria
sem se desgastar com voltas e idas.
No seu poema: "de quem é esse pincel?"
Com a sua mesma certeza suprema
sei de quem é a poesia: de Miguel.
Na sequência: "e quem é esse pintor?"
do perfeito criador da natureza,
o mesmo que criou esse poeta-escritor.
Gracinete Felinto
sexta-feira, 27 de setembro de 2019
POEMA DE SETE FACES
Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.
O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.
O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do -bigode,
Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.
Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.
Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.
Carlos Drummond de Andrade
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.
O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.
O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do -bigode,
Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.
Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.
Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.
Carlos Drummond de Andrade
POEMA SEM DISFARCE
Quando nasceu, um anjo tosco
desses que sempre assombram
disse: vai, Carlos! Virar estátua na vida.
Os vândalos espreitam a esfinge
que vive sentada no banco.
O tempo talvez fosse outro,
não houvesse tantos vândalos.
O tempo passa cheio de dúvidas
ora é noite dia sol chuva
por que tanta dúvida, meu Deus, pergunta sem razão.
Mas os olhos já não
perguntam mais nada.
A estátua atrás da pedra
é inerte, dura e frágil.
Não mais conversa.
Já não tem mais amigos
a estátua atrás dos óculos (quebrados) e do bigode (de pedra).
Oh, Deus, por que o abandonaste
se sabias que era humano
e que viraria pedra.
Mundo mundo parco mundo,
se ele se chamasse Sigismundo
seria uma rima, e uma provocação.
Mundo mundo parco mundo,
mais parco é seu coração.
O mundo precisa saber
que esse gesto
essa atitude
deixa a gente aborrecido como o diabo.
Quando nasceu, um anjo tosco
desses que sempre assombram
disse: vai, Carlos! Virar estátua na vida.
Os vândalos espreitam a esfinge
que vive sentada no banco.
O tempo talvez fosse outro,
não houvesse tantos vândalos.
O tempo passa cheio de dúvidas
ora é noite dia sol chuva
por que tanta dúvida, meu Deus, pergunta sem razão.
Mas os olhos já não
perguntam mais nada.
A estátua atrás da pedra
é inerte, dura e frágil.
Não mais conversa.
Já não tem mais amigos
a estátua atrás dos óculos (quebrados) e do bigode (de pedra).
Oh, Deus, por que o abandonaste
se sabias que era humano
e que viraria pedra.
Mundo mundo parco mundo,
se ele se chamasse Sigismundo
seria uma rima, e uma provocação.
Mundo mundo parco mundo,
mais parco é seu coração.
O mundo precisa saber
que esse gesto
essa atitude
deixa a gente aborrecido como o diabo.
Miguel de Souza
domingo, 25 de agosto de 2019
Mote e Glosa
Quem foi às ruas pelas "Diretas,"
ainda não aprendeu a votar.
Não se vota com rancor,
e nem se vota com ódio, o
primeiro lugar no podium
é independente da cor,
ou de seja lá o que for,
que te faça computar
o voto para ganhar
e alcançar a sua meta.
Quem foi às ruas pelas "Diretas",
ainda não aprendeu a votar.
Miguel de Souza
ainda não aprendeu a votar.
Não se vota com rancor,
e nem se vota com ódio, o
primeiro lugar no podium
é independente da cor,
ou de seja lá o que for,
que te faça computar
o voto para ganhar
e alcançar a sua meta.
Quem foi às ruas pelas "Diretas",
ainda não aprendeu a votar.
Miguel de Souza
sábado, 2 de fevereiro de 2019
PONTAS NEGRAS
Há duas Pontas Negras que conheço:
duas praias morenas e queridas,
ambas nuas, como moças desvestidas,
parecendo que as vejo pelo avesso...
Numa e noutra, se a uma compareço,
sempre vejo posturas atrevidas
nos bares, nas esteiras estendidas,
dando idéia de fim... ou de começo...
A de Manaus, tem água doce e pura;
a de Natal, tem sal - é uma loucura!
E uma e outra refletem meu querer.
Quando, vezes, as uno, em pensamento,
sinto orgulho de meu reino, e num momento
vivo um rio de paz, mar de prazer!
Natal, RN, março de 1988
Almir Diniz
In: Andanças Poéticas
P: 25
duas praias morenas e queridas,
ambas nuas, como moças desvestidas,
parecendo que as vejo pelo avesso...
Numa e noutra, se a uma compareço,
sempre vejo posturas atrevidas
nos bares, nas esteiras estendidas,
dando idéia de fim... ou de começo...
A de Manaus, tem água doce e pura;
a de Natal, tem sal - é uma loucura!
E uma e outra refletem meu querer.
Quando, vezes, as uno, em pensamento,
sinto orgulho de meu reino, e num momento
vivo um rio de paz, mar de prazer!
Natal, RN, março de 1988
Almir Diniz
In: Andanças Poéticas
P: 25
domingo, 27 de janeiro de 2019
TENTAÇÃO
Lá vai ele, zoando no trajeto,
com seu comportamento tão mesquinho!
Vai bagunçando pelo caminho
a vida dos honrados, dos diletos!
Este ser reles, vil, ignóbil, abjeto...
Vai transformando em bruscos espinhos,
as flores suaves desse caminho,
quando as encontra no lugar correto!
Mas, ao danificar alguma flor,
e esta estiver envolta de PAZ e AMOR,
corre-se o risco da cruel peia!
Pois, ao Mor Jardineiro desta vida
caberá defendê-la! E protegida
estará a flor dessa atitude feia.
Miguel de Souza
com seu comportamento tão mesquinho!
Vai bagunçando pelo caminho
a vida dos honrados, dos diletos!
Este ser reles, vil, ignóbil, abjeto...
Vai transformando em bruscos espinhos,
as flores suaves desse caminho,
quando as encontra no lugar correto!
Mas, ao danificar alguma flor,
e esta estiver envolta de PAZ e AMOR,
corre-se o risco da cruel peia!
Pois, ao Mor Jardineiro desta vida
caberá defendê-la! E protegida
estará a flor dessa atitude feia.
Miguel de Souza
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