quinta-feira, 20 de abril de 2023

METÁFORA

Eu tenho ouvido muito os bolsomínions,
sem nenhuma desfaçatez, patranha;
mandar fazer o "L". E a picanha?
- Perguntam eles sem ter o domínio 

do que seja metáfora. Uns exímios 
analfabetos com a vida tacanha,
entupidos de cólera, de sanha;
fadados ao fracasso, ao extermínio.

Chega a ser, meus ledores, constrangedor,
explicar num soneto tradutor, 
 o que se quis dizer, nas eleições, 

quando Luiz Inácio, na campanha,
abriu a boca pra falar em picanha, 
referindo-se às três refeições. 

domingo, 12 de março de 2023

SARRO

O fusca tirou sarro 
do risco que a Ferrari sofreu!
                                    E o Gol?
- Não entrou em campo. 

Miguel de Souza 

MACUMBA NATURAL

Cuidado com o pensamento vil 
sobre teu próximo, teu semelhante...
o homem, por ser um ser pensante 
vive a pensar com mais de mil!

E isso gera certa energia hostil, 
que se torna algo muito agravante, 
não agora, um pouco mais adiante,
ele sentirá tudo que o outro sentiu!

Pela lei que perdura no universo, 
ao homem, só caberá mesmo o reverso. 
Sua vida será uma quizumba!

Cuidado com os pensamentos entorno, 
senão cairás na lei do retorno
e estarás praticando macumba!

Miguel de Souza 

terça-feira, 21 de fevereiro de 2023

SENHORA NEFASTA

Afastai, oh meu Pai, de mim, a treva
transfigurada na imagem de Súcubo, 
a me tornar, por ela, fracassado íncubo, 
e comprazer-se em cópula primeva,

ao feitio, quem sabe, de Adão e Eva!
Sobre ela, de maneira alguma, subo.
Sou enrolado numa espécie de tubo,
para fazer comigo tudo que deva 

cumprir essa Senhora vil, nefasta.
Descumpridora dessas regras. Basta!
Estou mudando a faixa vibratória.

Pela lei que perdura no universo,
a tua ação será esse reverso, 
e, pelo pensamento, mudo a história!

Miguel de Souza 

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2023

LIÇÃO DIÁRIA

São três dias que passo no descanso,
enquanto que o Brasil está em festa!
O mal, aos quatro cantos  se manifesta,
e eu, no meu canto, tímido e manso, 

tendo, por essas coisas todas, ranço...
Pois, neste País, a orgia hoje, infesta!
Há quem não gosta! Há quem detesta!
De repetir também eu não me canso!

Quando encerra-se a festa, desce o pano;
o folião volta ao cotidiano
e veste a sua fantasia real...

Mas não aprende com a lição diária,
a vida cada dia mais precária 
deva-se ao ser que brinca carnaval!

Miguel de Souza 

DIAS ORGÍACOS

Nunca passou por esta cabeça,
virar três noites nessa folia...
vestir uma ridícula fantasia 
e esperar que a alegria me aqueça!

Por mais que todo mundo enlouqueça,
vendo a noite se transformar em dia!
Essa loucura, a mim, não irradia...,
e que nada de mal aconteça 

com essa gente que "se diverte!"
Os valores da sua vida inverte, 
abrindo para o mal u'a grande fresta!

Depois da alegria vem a tristura 
na vida dessas pobres criaturas, 
por três dias orgíacos de festa!

Miguel de Souza 

CARNAVAL

Não gosto nem um pouco de carnaval!
Carnaval, para mim, é o mor pecado!
E quem, no carnaval, fica pelado 
tá cometendo, o cara, um grande mal!

Em retiro, distante da capital, 
vou pra bem longe orar um bocado 
por esses meus irmãos tresloucados 
que vivem iludidos de maneira tal...

E não percebem a maior besteira;
se entregar dessa forma à bebedeira, 
até, na quarta-feira, virar cinza!

Qual será o resultado desse saldo?
Com certeza, será duro, o rescaldo!
Mas, ninguém lê um poeta ranzinza!

Miguel de Souza 

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2023

SUPERCOPA

Roubaram o meu time na final!
Ganharam a partida e foi no grito!
Compraram o juiz com seu apito!
Reclamaram até de lateral!

É que o dito ficou pelo não dito!
Ainda não vi tanta cara de pau!
Fizeram, no meu time, tanta fal...
Que resolvi registrar o delito!

Gestos de torcedores abjetos!
Lançaram no gramado objetos!
No nosso avante, um celular!

O juiz era quem ditava o ritmo!
Com um gol totalmente ilegítimo!
Com toda conivência do VAR!

Miguel de Souza 

terça-feira, 24 de janeiro de 2023

domingo, 22 de janeiro de 2023

RODA DE SANSARA

Para sair da roda de sansara,
não tenho que adquirir mais nenhum carma;
e, sim, exercitar em plenitude o darma
e sarar minhas falhas qual quem sara 

de alguma complicada doença rara!
Neste instante a maldade se desarma.
O bem, aos quatro cantos, logo alarma
e a roda das encarnações agora para.

Chegou enfim, o fim da luta, guerra!
Não mais encarnará aqui na terra,
nem em nenhum outro lugar, planeta.

Viverá a realidade do espírito, 
não haverá mais matéria. E o perispírito?
Nem haverá mais erro que se cometa!

Miguel de Souza 


domingo, 30 de outubro de 2022

13 NELES

Eu não consigo entender, meu povo,
depois de quatro anos nesse mico, 
sendo humilhado pelo tal milico,
ainda há quem vota nele de novo.

Eu sei, alguns pediram penico,
cansaram de comer salsicha, ovo;
esses daí, tem todo o meu aprovo.
Falo desses que fingem ser rico 

e acham que esse governo é pra eles!
Portanto, oh meu povo, 13 neles!
Vamos votar, voltar à situação...

Honrar aquela frase da bandeira 
desta imensa nação brasileira.
Voltar a ser de novo DIGNA NAÇÃO.

Miguel de Souza 

segunda-feira, 18 de julho de 2022

MOTE E GLOSA

Eu tô que não vejo a hora
da pandemia acabar.

Já chega de ter na cara, 
tapando boca e nariz,
essa peça que eu não quis
de jeito nenhum na cara.
Hoje o mundo se depara 
com a peça sem parar.
Quando tudo vai passar?
A pergunta faço agora!
Eu tô que não vejo a hora 
da pandemia acabar.

Miguel de Souza 

domingo, 10 de julho de 2022

POSSÍVEL SONHO

Ando do lado oposto aos que se acham...
Aos que criticam, julgam todos, tudo.
Como se fossem insensíveis, rudos,
agem. E de beócio eles nos tacham.

Ando contrário a esses que o bico racham,
zombando de todos por serem mudos!
Iludir outros com falácia não iludo,
porque marcho para onde todos marcham.

Ando com os pés frágeis desse jeito, 
pagando o preço caro pelo feito
de ter posto no poder um dos nossos!

Ando com a esperança dessa volta, 
contra a realidade que revolta,
mas ao menos sonhar, acho que posso!

Miguel de Souza 

domingo, 3 de julho de 2022

O MENINO E O TEMPO

Um dia desses eu tive um sonho,
um sonho desses que já não se sonha mais... 
Um dia desses eu me senti menino.
Eu subi na árvore e fiz travessuras.
Um dia desses eu fiquei mais velho.
Eu desci da árvore. Eu deixei de sonhar.

Manoel Assis 


Discorrendo sobre o poema:

Vejo neste poema a árvore como metáfora da própria vida. Quando o poeta diz: "Eu me senti menino." Isto nada mais é do que o ato de nascer, de sentir o peso da matéria e alarmar ao mundo num choro, pedindo leite! "Eu subi na árvore e fiz travessuras.", em outras palavras: eu embarquei nesse transporte que é a vida. E fica nítida a ideia do poeta quando ele diz "e fiz travesduras", ora, senhores, quem faz travessuras, a não ser a criança? E o poema é duro e cruel como é a vida: "Um dia desses eu fiquei mais velho". Passagem do tempo, passagem da vida... em tão belos versos o poeta fala da velhice de uma forma tão doce que chega a emocionar! "Eu desci da árvore,". Eu deixei, por fim, esse meio de transporte que é a matéria, não se esqueçam que árvore e corpo são feitos da mesma matéria-prima, a terra. "Eu deixei de sonhar". A morte propriamente dita. O poeta não morreu, deixou de sonhar. Ora senhores, o poeta ameniza as dores da vida de uma forma tão romântica que chega a nos deliciar num ato tão dolorido para todos que é a própria morte.


domingo, 26 de junho de 2022

HAICAI-ACRÓSTICO

Cheiro muito forte
Invade o nariz do cão. 
Olor: sexo à vista!

Miguel de Souza 

P.S:. Haicai-acróstico é uma ideia minha que une dois tipos de textos. O haicai e o acróstico. Para quem quiser se aventurar nesse exercício, fiquem à vontade. Acho que vale a pena o desafio.

sábado, 4 de junho de 2022

COMO NASCEM OS SONHOS

Assim como Nascem as estrelas
e o que germina latente 
entre o líquen e o húmus 
e que será amanhã 
flor e fruto. 

Assim como Nascem as borboletas 
e o que gesta em casulo 
entre o breve e o sempre 
e que será amanhã 
belo e azul. 

Assim como Nascem as árias 
e o que busca em silêncio 
entre o  verbo e o verso 
e que será amanhã 
livre e livro. 

Assim como Nascem as emoções 
e o que plasma em amor 
entre o coração e a alma 
é o que será amanhã 
água e luz. 

Assim nascem os sonhos...

Nelson Castro 
In: A Quinta Estação 
P.191