quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

ENTRE POETAS

Deu sua passagem um grande brasileiro, como diria Paulo Autran. Ferreira Gullar, ao que me parece entendeu bem o que é ser um fingidor, pois sua obra plena de criatividade refletiu e reflete na pele as mazelas deste povo tupiniquim.

POEMA BRASILEIRO

No Piauí de cada 100 crianças que nascem
78 morrem antes de completar 8 anos de idade

No Piauí
de cada 100 crianças que nascem
78 morrem antes de completar 8 anos de idade

No Piauí
de cada 100 crianças
que nascem
78 morrem
antes
de completar
8 anos de idade

antes de completar 8 anos de idade
antes de completar 8 anos de idade
antes de completar 8 anos de idade
antes de completar 8 anos de idade

Ferreira Gullar
in: Dentro da noite veloz


GULLAR MORTO

Você não foi como a poesia,
que segundo você mesmo: não fede nem cheira.
Você fedeu!
Fedeu nas narinas daqueles que cheiravam rosas.
Fedeu nas mãos dos que atiraram a bomba suja.
Mas fedeu, principalmente, no coração dos homens maus.

Você disse e soube dizer...
E quando calado, seu jeito de calar foi a maneira
que encontrou de regurgitar palavras,
de transbordar verbos.
Seu setembro de flores úteis,
seu agosto sem Rimbaud,
suas tardes de maio de urina e terror,

refletem verdades absolutas de poesias e compromissos.

Hoje, 4 de dezembro de 2016, dia de Santa Bárbara,
morreu um homem (in)comum
brasileiro, maior, casado, reservista,
e um dos maiores Poetas que esta terra já deu!
Adeus, Gullar.

Miguel de Souza


*Caricatura compilado do blog de Flavio Luiz cartunista.

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